sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
murmúrio, exterior (2)
domingo, 22 de novembro de 2020
terra
Under the jasmine, I shall die
In the elder tree
I need not try to prepare for a new coming day
Where is it that fills the deepness I feel?
That I lost something in the hills
I lost something in the hills
Oh, I lost something in the hills
sábado, 31 de outubro de 2020
frio (3)
Which hath not figured to thee my true spirit?
What’s new to speak, what new to register,
That may express my love or thy dear merit?
Nothing, sweet boy; but yet, like prayers divine,
I must each day say o’er the very same,
Counting no old thing old, thou mine, I thine,
Even as when first I hallow’d thy fair name.
[...]
Blanchot - La part du feu
À qui me louer? Quelle bête fault-il adorer? Quelle sainte image attaque-t-on? Quels coeurs briserai-je? Quel mensonge dois-je tenir? – Dans quel sang marcher?
Quaisquer flores, logo que sejam muitas...
domingo, 17 de março de 2019
murmúrio, exterior
Não se foge do mundo, mas justamente para ele, a fim de se deter na familiaridade tranquila. A fuga de-cadente para o sentir-se em casa da public-idade foge de não sentir-se em casa.
Heidegger - A disposição fundamental da angústia/ansiedade como abertura privilegiada do Dasein. In: Ser e Tempo I
... a recusa da morte, a tentação do eterno, tudo aquilo que conduz os homens a preparar um espaço de permanência. Incansavelmente, nós edificamos o mundo, a fim de que a dissolução secreta seja esquecida em favor dessa coerência de noções e objetos, de relações e de formas, onde o nada não saberia se infiltrar e onde belos nomes - todos os nomes são belos - bastam para nos fazer felizes.
Blanchot - A conversa infinita (adaptado)
Vós sois o sal da terra; mas, se o sal perder o seu sabor, com que se há de salgar?
Mateus 5:13
How do you hide from something you have found?
Do you hear that sound?
That scratching sound?
Is it better to be lost or found?
You can't ignore it
You can't talk it away
You can't drink it away
You can't fuck it away
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
somenos (2)
Beckett - Murphy
Que contestação produz essa região excluída e abjetada para a hegemonia simbólica, que contestação pode forçar uma rearticulação radical do que qualifica o corpo como corpo que importa, maneiras de viver que contam como “vida”, vidas que vale a pena proteger, vidas pelas quais vale a pena sofrer?
Judith Butler - Bodies that matter
a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém.
Clarice Lispector - A hora da estrela
Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Excepto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Fernando Pessoa - Poesias de Álvaro de Campos
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
fome
Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar.
Fernando Pessoa
Ser ainda onde não se é mais
que este "ainda" a viver.
Edmond Jabès - Angoisse d'une seule fin
Cioran
[...] como se a totalidade objetiva não preenchesse a verdadeira medida do ser [...]. Nenhuma viagem, nenhuma mudança de clima e de decoração saberiam satisfazer o Desejo que tende [a alhures e ao outro]. O Outro desejado não é como o pão que como, como o país que habito, como a paisagem que contemplo [...]. [...] Desejo de um país onde nós não nascemos. De um país estrangeiro a toda natureza [...] e para onde nós não nos transportaríamos jamais. [...] Ao Desejo, o Desejado não o completa, mas o escava. [...] O Desejo é desejo do absolutamente Outro. Fora da fome que se satisfaz, da sede que se sacia e do sentido que se apazigua, deseja o Outro para além das satisfações, sem que ao corpo seja possível um gesto que diminua o anseio, sem que seja possível ao corpo esboçar uma carícia, nem inventar carícia nova. Desejo sem satisfação que, precisamente, ouve o distanciamento, a outridade e a exterioridade do Outro. (tradução e grifo meus)
Lévinas - Totalité et Infini
And i forget
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
somenos
Abre [a porta] a quem não bater em tua porta.
Fernando Pessoa - Poesias Coligidas
Ser insignificante e continuar sendo. E, se uma mão, uma circunstância, uma onda me erguesse e me levasse até o alto, onde reinam o poder e o crédito, eu destruiria o estado de coisas que me fosse favorável e me lançaria no fundo da escuridão baixa e fútil. Só consigo respirar nas regiões inferiores.
Walser - O Instituto Benjamenta
eu sou aquele que qualquer um pode substituir, o não-indispensável por definição e aquele que, no entanto, não pode se dispensar de responder por e para o que não é: uma singularidade de empréstimo e de acaso - aquela do refém, que é, sem consentir, a garantia, não escolhida, de uma promessa que ele não fez, o insubstituível que não detém seu lugar.
[...]
Que outrem não tenha outro sentido senão o recurso infinito que eu lhe devo, que ele seja o chamado ao socorro sem termo [...], me faz desaparecer no movimento infinito do serviço onde eu não sou senão um singular temporário, um simulacro de unidade [...] uma exigência [...] que me excede de todas as maneiras, até me desindividualizar.
[...]
Minha responsabilidade por Outrem supõe uma ruptura tal, que não se distingue senão por uma mudança de estatuto de "eu", uma mudança de tempo e talvez uma mudança de linguagem. Responsabilidade que me retira de minha ordem - talvez de toda ordem - e me descarta do eu (na medida em que eu é o mestre, o poder, o sujeito livre e falante), descobrindo o outro em vez de mim, me permite responder pela ausência, quer dizer, pela impossibilidade de ser responsável, à qual essa responsabilidade sem medida já sempre me jurou, me devotando e me desorientando. (grifos e tradução meus)
